Apoio a empresas acerta no curto prazo, mas exige velocidade em repasses
O plano de apoio aos setores afetados pelo tarifaço dos EUA, anunciado pelo governo nesta quarta-feira (13), acerta em oferecer medidas de curto prazo para empresas impactadas pela medida, mas vai exigir atenção na velocidade de repasse dos recursos e no cuidado em não tornar permanentes as medidas que são emergenciais, avaliam economistas.
Além disso, o plano não deve excluir os esforços do governo em seguir tentando negociar com os Estados Unidos uma redução da alíquota de 50% para os setores que não foram beneficiados pela lista de exclusão.
Foco no curto prazo
Para Jorge Ferreira, doutor em administração, especialista em Economia Internacional e professor na ESPM, as medidas anunciadas concentram os recursos no curto prazo, o que é um acerto para dar liquidez às empresas afetadas, na sua avaliação.
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O plano inclui a criação de uma linha de crédito de R$ 30 bilhões para as empresas impactadas, desde que elas se comprometam a manter os empregos, e prorroga por um ano o regime de drawback, que suspende os impostos de importação para a cadeia produtiva dos produtos exportados.
“O lado bom desse enfoque é concentrar os recursos no curto prazo para dar liquidez às empresas. Mas o diferimento de impostos no Brasil costuma ser um procedimento burocrático e oneroso, que demanda algum nível de profissionalização por parte do exportador. Um exemplo dessa burocratização é o drawback”, afirma Ferreira.
Jackson Campos, especialista em comércio exterior, também avalia que as medidas trazem um bom alívio em curto prazo, combinando apoio ao setor produtivo, preservação de empregos e abertura de mercados.
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“Medidas como crédito com taxas acessíveis, prorrogação de prazos fiscais e estímulo a exportações ajudam a dar fôlego imediato às empresas mais afetadas. Ao condicionar linhas de crédito à manutenção de postos de trabalho, a iniciativa também preserva a base social e econômica”, avalia.
Velocidade nos repasses
No entanto, o plano só terá sucesso se houver celeridade no repasse de recursos nas linhas de financiamento, avalia Ferreira.
Desta forma, as empresas terão acesso rapidamente ao crédito e poderão se reestruturar enquanto buscam novos mercados.
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Apesar de o pacote ter sido avaliado positivamente, o anúncio não deve tirar do foco do governo os esforços em tentar manter o diálogo aberto com os Estados Unidos para reduzir a tarifa de 50%, avalia Ferreira.
“Além do pacote, seria necessário o governo atuar em duas frentes: insistir na abertura de negociações com a gestão Trump e atuar fortemente na busca de novos mercados”, afirma.
Isso porque, caso o apoio precise se estender por mais tempo, poderá haver impacto significativo nas contas públicas, segundo Ferreira.
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Jackson Campos também defende o diálogo com os EUA. “No curto prazo, é um alívio importante, mas o sucesso dependerá de um diálogo firme com os EUA e da capacidade de transformar essas ações emergenciais em políticas de médio e longo prazo”, analisa.
Governo anuncia apoio a setores
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou Medida Provisória com as ações durante cerimônia no Palácio do Planalto com a presença também do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, do vice-presidente e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin, e dos presidentes da Câmara, Hugo Motta, do Senado, Davi Alcolumbre, além de representantes de entidades do setor produtivo.
Durante a cerimônia, ele falou que vai procurar outros destinos para os produtos brasileiros. “Ao invés de ficar chorando aquilo que nós perdemos, vamos procurar ganhar em outro lugar. Se os Estados Unidos não querem comprar, nós vamos procurar outro país”, disse.
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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o Brasil vive uma situação “inusitada” ao ser alvo de sanções comerciais impostas por um país que, segundo ele, mantém superávit expressivo na relação bilateral e não teria justificativa econômica ou política para a medida. “Estamos sujeitos a uma retaliação injustificável do ponto de vista político e econômico, infelizmente com o apoio de alguns setores radicalizados da sociedade brasileira”, disse.
FonteInfomoney



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