Líder da Câmara se junta a republicanos que exigem clareza no caso Epstein

Líder da Câmara se junta a republicanos que exigem clareza no caso Epstein


Alguns dos aliados mais leais do presidente Donald Trump no Congresso não estão satisfeitos com sua decisão de não divulgar arquivos adicionais do caso Jeffrey Epstein, e isso ameaça aprofundar a divisão dentro do movimento MAGA que ele agora enfrenta entre seus próprios apoiadores.

Nos bastidores, a equipe da Casa Branca de Trump tem tentado desviar a atenção pública da posição do governo em relação aos arquivos. No entanto, o presidente da Câmara, Mike Johnson, tornou-se na terça-feira (15) o republicano de mais alto escalão a afirmar que também quer ver mais detalhes da investigação — à medida que ele mesmo enfrenta pressão de colegas para tomar a medida incomum de usar o poder do Congresso para investigar o caso por conta própria.

“Sou a favor da transparência”, disse Johnson em uma entrevista para o podcast do comentarista conservador Benny Johnson, ao ser questionado sobre os apelos de membros de seu próprio partido, como as deputadas republicanas Anna Paulina Luna (Flórida), Marjorie Taylor Greene (Geórgia) e Lauren Boebert (Colorado), para que se tomem medidas como intimar o Departamento de Justiça a entregar os documentos ou nomear um procurador especial.

“É um assunto muito delicado. Devemos divulgar tudo e deixar que o povo decida”, afirmou o republicano da Louisiana.

Johnson deixou claro que confia em Trump e apoia a procuradora-geral Pam Bondi. Ainda assim, sua decisão de pressionar publicamente o presidente para liberar mais detalhes sobre o caso Epstein representa uma rara demonstração de atrito entre Trump e seus fiéis aliados no Congresso.

O presidente da Câmara estava entre os vários republicanos no Capitólio que disseram não estarem satisfeitos com as informações divulgadas até agora sobre o financista condenado por crimes sexuais.

Um desses republicanos, o deputado Ralph Norman, da Carolina do Sul, que votou com os democratas em uma comissão na noite de segunda-feira (14) para obrigar o Departamento de Justiça a divulgar mais informações sobre o caso, alertou que Trump pode sair prejudicado politicamente se sua administração não for mais transparente sobre o assunto.

“Acho que o povo americano precisa ver o que há ali, e isso não é difícil de entender. No fim das contas, o governo deveria trabalhar para nós”, disse Norman, acrescentando depois: “Se não há nada ali, mostre a folha em branco.”

Questionado pela CNN sobre o desejo do presidente de seguir em frente e deixar o caso Epstein para trás, Norman respondeu: “Tudo bem, mas não quero vê-lo prejudicado por isso — e a transparência é simplesmente o melhor caminho a seguir.”

O deputado republicano Chip Roy também disse à CNN que quer mais transparência do Departamento de Justiça em relação ao caso, afirmando que ele e seus colegas continuarão pressionando o governo para lidar com a questão.

“Queremos ver mais informações”, afirmou Roy, quando perguntado se o memorando do Departamento de Justiça era suficiente para ele.

Até agora, os republicanos ainda não estão usando seu poder no Congresso para confrontar Trump formalmente: os deputados republicanos rejeitaram por unanimidade uma tentativa dos democratas de incluir, em um projeto de lei não relacionado, uma cláusula que obrigaria o Departamento de Justiça a divulgar todos os arquivos sobre Epstein em até 30 dias.

No entanto, Trump e sua equipe ainda têm trabalho a fazer para acalmar as preocupações de parte do seu próprio partido.

A Casa Branca tentou conter a revolta interna na terça-feira, enquanto Pam Bondi descartava a possibilidade de divulgar mais documentos do caso, algo que o próprio Trump havia sugerido anteriormente.

Bondi disse na terça-feira que o memorando da semana passada, no qual se recusa a divulgar os arquivos sobre Epstein, “fala por si só”, rejeitando perguntas sobre a possibilidade de tornar mais documentos públicos.

“Hoje nosso memorando fala por si. Vamos responder sobre qualquer outra coisa depois”, declarou Bondi a jornalistas na terça-feira, ao responder sobre o comentário anterior de Trump de que ela deveria divulgar “tudo o que considerar crível”.

Na Casa Branca, também na terça-feira, Trump disse que apoia Bondi, ao ser questionado sobre a declaração de sua nora, Lara Trump, de que é necessário haver “mais transparência” na investigação sobre Epstein.

“A procuradora-geral lidou muito bem com isso… realmente fez um ótimo trabalho”, disse Trump.

“Eu também gostaria de ver isso”, acrescentou o presidente, aparentemente se referindo aos pedidos por mais transparência. “Mas acho que a credibilidade da procuradora-geral é muito importante. Você precisa de evidências confiáveis em casos assim, e acredito que ela tem lidado com isso muito bem.”

Além disso, Trump afirmou que Bondi não lhe disse se seu nome aparece ou não nos arquivos de Epstein, apesar de acusações anteriores feitas por seu ex-aliado Elon Musk.

“Não, não… ela só fez um briefing muito rápido”, disse Trump a jornalistas.

As declarações de Bondi ocorreram durante uma coletiva de imprensa na sede da Agência de Repressão às Drogas (DEA), onde destacou as apreensões de cerca de 29 toneladas de metanfetamina, incluindo em forma de comprimidos, em operações desde janeiro. Várias dessas apreensões ocorreram durante o feriado de 4 de Julho.

Embora o aumento de drogas como comprimidos com metanfetamina represente uma ameaça nacional, e casos de drogas sejam prioridade para a procuradora-geral, isso não foi suficiente para desviar a atenção do escândalo envolvendo Epstein.

Segundo fontes ouvidas pela CNN, o Departamento de Justiça está empenhado em mudar o foco das atenções em torno do caso Epstein e vem priorizando a exposição de Bondi à imprensa para tratar de outras pautas da administração Trump, como as apreensões de drogas destacadas na terça-feira.

A esperança é de que a controvérsia perca força, apesar da forte reação negativa por parte da própria base de apoio de Trump.

Isso ficou evidente durante o evento na terça-feira, quando os repórteres perguntaram repetidamente sobre novas divulgações, além do relacionamento dela com o diretor do FBI, Kash Patel, e o vice-diretor Dan Bongino. Bondi afirmou diversas vezes que não responderia a perguntas sobre o assunto.

Ela disse que ela, Patel e Bongino estão “todos comprometidos” em “lutar como uma equipe” para alcançar as prioridades da administração Trump, como a redução da criminalidade violenta.

“Vou estar aqui enquanto o presidente quiser que eu esteja, e acredito que ele deixou isso muito claro: são quatro anos”, disse Bondi, em referência à polêmica e aos pedidos de sua renúncia.

“Bem, agora são três anos e meio, certo?”, completou.

Trump também foi questionado na Casa Branca se confia em Bongino, que, segundo a CNN, teria tido desentendimentos com Bondi sobre a liberação dos arquivos relacionados à investigação de Epstein.

“Gosto do Dan Bongino”, respondeu Trump.

Outro aliado fiel de Trump no Congresso, o presidente do Comitê Judiciário da Câmara, Jim Jordan, concordou.

Jordan insistiu repetidamente que tem “confiança no presidente Trump” ao ser pressionado sobre as críticas da direita pela falta de informações divulgadas sobre o caso.

“Gosto do Dan Bongino, gosto do Kash Patel, da Pam Bondi e do Todd Blanche”, afirmou, acrescentando que tem “total confiança no presidente Trump e em sua equipe”.

Questionado se pessoalmente tem mais perguntas sobre o caso Epstein, Jordan repetiu que confia no presidente.

 

Kit Maher, Alison Main, Manu Raju e Casey Riddle, da CNN, contribuíram para esta reportagem.



FonteCNN Brasil

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