Se Trump acha que vamos nos curvar, está enganado, diz Fávaro sobre tarifas
O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, afirmou nesta sexta-feira (11) que o Brasil não aceitará pressões dos Estados Unidos e que irá ampliar mercados para os produtos mais afetados pelas novas tarifas.
“Se ele [Donald Trump] acha que, ao taxar em 50%, vai nos fazer curvar, não vai. Ele está enganado”, disse durante evento em Cuiabá (MT), ao comentar a decisão do governo norte-americano de sobretaxar produtos brasileiros.
“O que nós vamos fazer, enquanto isso, com aqueles produtos que mais sofrem com essa taxação — principalmente café, laranja, suco de laranja e a nossa carne — é ampliar os mercados”, declarou o ministro.
Fávaro afirmou que já determinou medidas à equipe do ministério.
“Já determinei à nossa equipe de relações internacionais que direcione agendas para que eu possa falar com chefes de Estado, com ministros da Agricultura, para tirarmos as barreiras, taxações, ampliarmos habilitações de plantas frigoríficas, ampliarmos o comércio de suco de laranja, de café, com o Sul Global, com o Oriente Médio, com todos os países do Brics”, enfatizou.
Em tom crítico, o ministro disse que o presidente dos Estados Unidos ultrapassa sua função. Para ele, Trump foi eleito para governar aquele país, mas acha que “ganhou o mandato para ser o delegado do mundo”.
“Ele acha que ganhou o mandato para poder dizer quais são as regras e o que deve acontecer em cada lugar deste planeta. Aqui no Brasil, não. Nós temos soberania. Nós temos atitude. Esse país deve ser respeitado. Ninguém vai dizer como as coisas têm que acontecer aqui dentro”, afirmou.
Mesmo assim, Fávaro disse confiar no diálogo e na diplomacia brasileira, que o Brasil tem 200 anos de relacionamento com os EUA que “não podem e nem vão ser jogados no Lixo”. Mas lembrou que o país está autorizado a retaliar.
“Temos ferramentas para poder contrapor a medida à mesma altura. O Congresso Nacional aprovou, de forma unânime, por todos — independente de viés ideológico ou partidário — o direito do Brasil exercer a reciprocidade. Se ele põe 50% de taxa, nós podemos pôr 50%. E quem vai perder é todo mundo”, pontuou.
Fávaro também destacou que o país norte-americano tem superávit comercial com o Brasil e não quer que as medidas sejam acionadas, mas “respeito ao povo brasileiro”.
“Nós temos como chave a habilidade, e não serão taxas que vão tirar esse direito dos brasileiros”, finalizou.
FonteCNN Brasil



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